Irmãos
tingidos nas mesmas cores emoldurados na mesma casa uma alma maior que o corpo um coração maior que o peito para Theo a vida não mostrou os dentes trabalhou casou e foi pai fosse outro escapava emp regos perdidos amores negados amigos assustados com a orelha decepada no autorretrato Vincent pede socorro pincéis tintas e cartas revelam cores novas girassóis criam o amarelo cama cachimbo e cadeiras inauguram a perspectiva mais o delírio avança mais o irmão acolhe o coração envolve a alma exposta a arte quer mais tempo cartas pinceis e tintas chuva e sanatórios explodem estrelas em noites azuis labaredas de ciprestes e corvos calados anunciam: a loucura vencerá a insanidade atira a bala que fere os dois corpos emoldurados lado a lado tarde demais dirá o futuro a obra já foi entregue alma e coração voam para colorir outro lugar a arte sempre vence