O milagre de domingo
Cherri, o poodle médio e escuro que o menino ganhou da irmã mais velha, era o cão mais livre da capital federal, quiçá da América Latina. Dono do seu destino, quando queria passear, o bicho arranhava a porta da cozinha do apartamento e aguardava pacientemente que quem estivesse por perto a abrisse. Ele descia as escadas do prédio, ganhava o pilotis e passeava sozinho pelos gramados da quadra, onde trabalhava para manter o seu território, suas amizades e sua liderança pacífica. Satisfeito, fazia o caminho inverso e arranhava novamente a porta, atrás de água, um pouco de comida, descanso e afeto. Uma vida completa. Numa tarde nublada de domingo, porém, já escurecia, o programa dos Trapalhões chegava ao fim e Cherry não chegava. O menino de 9 anos colocou o seu bamba e foi atrás do seu cachorro de 5, sem avisar os pais. Os pingos de chuva não chegavam a molhar, mas incomodavam. O final do domingo não era agradável nem naq...