É Natal
Não, não seremos as crianças dessa noite. Aliás, a essa altura restam poucos personagens que já não tenhamos sido. Falo do elenco dos filmes que vimos nas ceias de Natal da nossa infância, entre delicias, presentes e tensões. Fomos o neto sonolento e o pai desajeitado, a namorada deslocada e a tia desquitada, o filho que sabia de tudo e o tio que bebeu demais, o primo solteirão e o avô que se preocupa, a filha sem o vestido ideal e a mãe exausta. Nem genros, sogras, cunhadas e concunhados escapamos de ser. Alguns papéis eram inéditos e tivemos que improvisar novos repertórios de silêncios, sorrisos, medos, danças, saudades, coragens, músicas, perdões, amores e perdas. Nesse teatro da vida vimos as palavras de Jesus saírem do livro e andarem por aí. A hora é de honrar a memória ou a presença de quem nos trouxe para essa festa e de celebrar com os nossos convidados mais um renascimento de todos nós. Que seja uma noite de paz. Vistam o figurino da vez e aproveitem o ban...