Querido mestre
Brasília, 09 de novembro de 2023 Querido mestre, Assim como os seus livros me alcançaram tanto tempo depois da sua partida, espero que esta carta encontre uma maneira de chegar até o senhor. Afinal, nós dois sabemos que uma das principais magias da escrita é vencer as barreiras do tempo e do espaço para aproximar amigos distantes, não é mesmo? Escrevo-lhe de um aparelhinho parecido com o bloco de anotações que o senhor carregava no bolso do paletó. Mas tente imaginar que dentro dele está também o correio, o telégrafo, uma máquina de escrever, um ábaco, um rádio, todos os jornais do dia, textos de Sócrates a Dostoievski, uma máquina fotográfica, um gerente de banco, um restaurante, o mapa da cidade e uma peste chamada WhatsApp. O mais incrível é que m esmo com todos esses recursos na palma da minha mão (e por causa deles), demorei mais de duas semanas para terminar essa carta. Aposto que ...