Marilyn
Nova York, 04 de agosto de 1962
Marilyn querida,
Por favor, abra logo essa carta. É urgente.
Li o caderno e os poemas que você me enviou na última semana. Quem escreve assim, não pode parar. Você tem o instinto e o reflexo de uma grande poeta, mas a sua alma pede socorro. Ela quer seu coração inteiro, sem remédios, sem culpa, sem o medo de enlouquecer.
Vamos tirá-la daí logo. Você tem razão, as internações não adiantarão. Sabemos do mal que os gritos lhe fizeram e fazem, mas só você pode sair do caminho que a vida trilhou para você. A destruição que lhe acompanha desde o nascimento não é você.
Você é um brilhante lindamente lapidado que, por dentro, é também um diamante. Não tem como não ser. Não entregue a eles o seu corpo, entregue os seus versos a quem souber o valor que eles têm.
Você não conseguirá esquecer o que fez nem o que fizeram com você, mas pode pintar o passado com a mesma cor que usou nos cabelos. Mude o nome dele também. É o que todos nós fazemos, de uma maneira ou de outra. Vida é o que vem pela frente.
O que você precisa agora é de um lápis e algumas páginas em branco. Palavras novas irão surgir e elas lhe dirão para onde ir. Não tenha medo da solidão, a sua salvação está nela. Amplie-a, mergulhe em seu oceano e escreva. Você estará em ótima companhia. Seus escritores favoritos respiram nessas águas.
Confie, minha amiga querida. Para uma pessoa como você, a poesia é a única forma de escapar com vida.
Amanhã irei lhe visitar.
Beijos,
Norman
.jpeg)
Comentários
Postar um comentário