Cherri, o poodle médio e escuro que o menino ganhou da irmã mais velha, era o cão mais livre da capital federal, quiçá da América Latina. Dono do seu destino, quando queria passear, o bicho arranhava a porta da cozinha do apartamento e aguardava que alguém a abrisse. Ele descia pelas escadas do terceiro andar, ganhava o pilotis e passeava sozinho pelos gramados da quadra, onde fazia a ronda para manter seu território, suas amizades e sua liderança pacífica. Satisfeito, trilhava o caminho inverso, arranhando novamente a porta, atrás de água, um pouco de comida, descanso e afeto. Uma vida completa. Naquela tarde nublada de domingo, porém, já escurecia, o programa dos Trapalhões chegava ao fim e o Cherri não apareceu. O menino de nove anos colocou o bamba e foi atrás do seu cachorro de cinco, sem avisar aos pais. Os pingos de chuva não chegavam a molhar, mas incomodavam. O final do domingo não era agradável nem naquela ép...
tingidos nas mesmas cores emoldurados na mesma casa uma alma maior que o corpo um coração maior que o peito para Theo a vida não mostrou os dentes trabalhou casou e foi pai fosse outro escapava emp regos perdidos amores negados amigos assustados com a orelha decepada no autorretrato Vincent pede socorro pincéis tintas e cartas revelam cores novas girassóis criam o amarelo cama cachimbo e cadeiras inauguram a perspectiva mais o delírio avança mais o irmão acolhe o coração envolve a alma exposta a arte quer mais tempo cartas pinceis e tintas chuva e sanatórios explodem estrelas em noites azuis labaredas de ciprestes e corvos calados anunciam: a loucura vencerá a insanidade atira a bala que fere os dois corpos emoldurados lado a lado tarde demais dirá o futuro a obra já foi entregue alma e coração voam para colorir outro lugar a arte sempre vence
oh! gigante misterioso não conhecerei todos teus segredos tens o poder e a fúria dos deuses tens a simplicidade do Deus único a eternidade ensina-me a lidar com os ciclos com a Lua e o magnetismo oh! universo submerso mostra-me que o acaso não importa revela-me a tua humildade que também você segue leis e sabe ser pequeno d á-me a coragem dos navegadores afasta as minhas tormentas oh! imenso deserto de sal fonte preciosa de ar e vida tantos morreram de sede em tuas águas muitos ainda viverão do teu sopro ajuda-me a aceitar o vazio dá-me a calma dos pescadores cura-me da ambição de ser eterno 01/04/2020 Imagem: Antonis Titakis, 1974 ...
Moi, a poesia Simples é uma verdadeira obra de arte!
ResponderExcluirAmei o paladar apurado e os prazeres na parte baixa da estante👏👏👏