É Natal
Não, não seremos as crianças dessa noite, mas já fomos. Aliás, a essa altura, poucos são os personagens que já não tenhamos sido. Falo do elenco dos filmes a que assistimos nas ceias da nossa infância, entre delícias, presentes e sustos.
Fomos o neto sonolento e o pai desajeitado, a namorada deslocada e o primo cadeirante, o viúvo solitário e o tio que bebeu demais, a filha sem o vestido ideal e a mãe exausta, o filho que sabia tudo e o avô que não tinha certeza de mais nada. Nem genros, sogras, cunhadas e concunhados escapamos de ser.
Alguns papéis não estavam no script e para interpretá-los tivemos que criar novos repertórios de silêncios, sorrisos, coragens, perdões, amores e perdas. Nesse teatro da vida vimos as palavras de Jesus saírem do livro e andarem por aí e dentro de nós.
A hora é de honrar a memória ou a presença de quem nos trouxe para essa festa e de celebrar outro renascimento de todos nós, com as pessoas que vieram para a casa que fundamos. O tempo vai parar e o caos ficará do lado de fora mais uma vez.
Que seja uma noite de paz. Vistam a fantasia da vez e aproveitem o banquete, mas ... cuidado! É Natal.

Moi, o Natal ficou perfeito, você me fez viajar no tempo, desde a infância, a maturidade e a velhice, e pude reviver cada período com alegria e um pouco de lágrima nos olhos! Obrigado amigo querido!
ResponderExcluirMuito obrigado, Carlin. As lágrimas dos taborizados são sagradas.
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