tem mão braço e osso pestana cintura e corpo tem brilho tem alegria é a alma saindo pela boca nasceu perto do Porto o filho que não cresce a família encontrou enfim a voz que não amadurece o frágil menino empenava na quentura e trincava na secura parecia gente de Lisboa à Madeira de braguinha a okulele foi rei no Havaí é príncipe no Brasil valente no ataque carente de sustentação acompanhar era a sina até Waldir pôr suas mãos as altas notas breves alegraram o choro cadenciaram o samba e o baião delicado ré sol si ré staccatos trinados pzzicatos trêmulos gliçando vibratos técnica treinos calos percussão de cordas acordos de tempos ritmo sem baixaria canhotos jonas e benons jacarés sapos e márcios matheus williams e nelsons a arte navega entre os dedos um violão de sete um pandeiro sério um sopro e ... El...
oh! gigante misterioso não conhecerei todos teus segredos tens o poder e a fúria dos deuses tens a simplicidade do Deus único a eternidade ensina-me a lidar com os ciclos com a Lua e o magnetismo oh! universo submerso mostra-me que o acaso não importa revela-me a tua humildade que também você segue leis e sabe ser pequeno d á-me a coragem dos navegadores afasta as minhas tormentas oh! imenso deserto de sal fonte preciosa de ar e vida tantos morreram de sede em tuas águas muitos ainda viverão do teu sopro ajuda-me a aceitar o vazio dá-me a calma dos pescadores cura-me da ambição de ser eterno 01/04/2020 Imagem: Antonis Titakis, 1974 ...
A sobrinha conduz a cadeira de rodas pelo corredor que se abre na multidão que lota o pátio central do Hotel Magestic restaurado. Acostumados ao invisível, os olhos atentos do velho viajam no tempo e custam a acreditar no que veem. O poeta se levanta para mirar as torres e as passarelas suspensas. Nunca imaginou estar na inauguração da sua própria eternidade. Em 1906, era remota a chance de vida de um prematuro de sete meses que nascia no inverno da fronteira gaúcha. Por isso, o pequenino caçula temporão, neto de médicos, teve a sua infância confinada no interior do Solar dos Leões. O medo da morte sempre esteve nos outros. "Eu fui um menino por trás de uma vidraça – um menino de aquário. Via o mundo passar numa tela cinematográfica, mas que repetia sempre as mesmas cenas, as mesmas personagens." O garoto temia mais o sótão e as escadaria...
Muito bom! Não podemos perder a capacidade de nos indignar.
ResponderExcluir👏👏👏
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