Fiodor Dostoievski 1821-1881




Sobretudo não minta a si mesmo. Aquele que mente a si mesmo e escuta sua própria mentira vai ao ponto de não mais distinguir a verdade, nem em si, nem em torno de si; perde pois o respeito de si e dos outros. Não respeitando ninguém, deixa de amar.

A inteligência só favorece a beleza.

É ao milagre que a humanidade procura, e não a Deus.

É melhor ser infeliz, mas estar inteirado disso, do que ser feliz e viver como um idiota.

As aparições são, por assim dizer, pedaços ou fragmentos de outros mundos, o seu princípio. É claro que o homem são não tem motivo para vê-las, porque o homem são é o homem mais terreno, e deve viver uma vida terrestre, atendendo à harmonia e à ordem. Mas quando adoece, ou quando a ordem terrena se altera no organismo, começa imediatamente a mostrar-se a possibilidade de outro mundo, e, quanto mais doente, tanto mais em contato se encontra com esse outro mundo, de maneira que, quando morre completamente, o homem vai direto para esse mundo.

Um erro original, vale mais que uma verdade banal. A verdade se encontra sempre, ao passo que a vida pode ser enterrada para sempre. (Crime e Castigo)

O homem percebe apenas suas tristezas. Ele lida com sua felicidade como algo natural.

É claro e evidente que o mal se insinua no homem mais profundamente do que supõem os médicos socialistas. Em nenhuma ordem social é possível escapar ao mal e mudar a alma humana: ela própria é a origem da aberração e do pecado.

Se Deus não existisse, tudo seria permitido.

Todas as mulheres sabem que os ciumentos são os primeiros a perdoar.

A falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não se poder estar sozinho.

Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente.

A beleza salvará o mundo.

A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz.

Não há ideia nem fato que não possam ser vulgarizados e apresentados a uma luz ridícula.

Um condenado à morte, uma hora antes de morrer, pensava e dizia que se tivesse de viver em algum lugar alto, em um penhasco, e numa área tão estreita que só coubesse os dois pés — e cercado de abismos, mar, trevas eternas, solidão eterna e tempestade eterna — e fosse forçado a permanecer assim, em pé no espaço de um archin a vida inteira, mil anos, toda a eternidade, seria melhor viver assim do que morrer agora!? Contanto que pudesse viver, viver, viver! Não importa como viver, mas apenas viver!


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