A sobrinha conduz a cadeira de rodas pelo corredor que se abre na multidão que lota o pátio central do Hotel Magestic restaurado. Acostumados ao invisível, os olhos atentos do velho viajam no tempo e custam a acreditar no que veem. O poeta se levanta para mirar as torres e as passarelas suspensas. Nunca imaginou estar na inauguração da sua própria eternidade. Em 1906, era remota a chance de vida de um prematuro de sete meses que nascia no inverno da fronteira gaúcha. Por isso, o pequenino caçula temporão, neto de médicos, teve a sua infância confinada no interior do Solar dos Leões. O medo da morte sempre esteve nos outros. "Eu fui um menino por trás de uma vidraça – um menino de aquário. Via o mundo passar numa tela cinematográfica, mas que repetia sempre as mesmas cenas, as mesmas personagens." O garoto temia mais o sótão e as escadaria...
E ainda por cima o homem é poeta! Quem aguenta?
ResponderExcluirPura poesia!
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